Universidade do Estado do Rio de Janeiro Centro de Educação e Humanidades Instituto de Artes Faculdade de Educação Disciplina Didática e Estágio Supervisionado – Proposição da Unidade 1 A partir da análise das três imagens disponíveis no exercício 1, junto da leitura dos textos e vídeos disponíveis no banco de dados, trago algumas pontuações a respeito da Didática em sintonia com a Cultura Digital . Primeiramente, entendendo o conceito de didática como uma infindável tentativa de aprimorar formas de ensino, inicio a análise das imagens reparando no modo padrão com os ambientes são organizados. No enfileiramento de carteiras e professor, figura de maior destaque, num palanque acima para ser mais bem visto e escutado. Alunos que não se veem cara - a - cara, apenas de costas ou perfil. Uma transferência direta, como parábola, do ponto A para B. Mirando o professor, como uma obra a ser admirada. 1 Nesta primeira imagem reparamos a representação de uma sala de aula nas universidades da Renascença italiana, datada do século XIV. O enfoque está sem dúvidas no professor, que até irradia uma luminosidade passada pelos tons quentes e claros de seu “trono”. Em segundo plano estão os alunos, dispostos de forma que todos possam ter uma boa visão deste palco. O maior destaque para meus olhos está nas curiosas reações dos estudantes. No plano da frente, vemos um de azul que parece dormir. Outros mais ao fundo que conversam, olham para os lados, se distraem. Vemos também no canto inferior esquerdo o que parecem auxiliares para o professor, talvez seus discípulos, os que vão lhe substituir em cadeia direta. Na distância de quase 700 anos, vemos a manutenção do modelo de fileiras e palanque. E distanciamento do corpo estudantil, seja por distância física ou desinteresse. Mas a partir do século XX surge uma demanda subversiva, de embaralhar este padrão, virar do avesso. No fim deste século aparecem os primeiros vestígios do que viria a ser uma profunda Cultura Digital. Estamos imersos nas mídias sociais, e na abrupta mudança para um mundo em quarentena devido à Pandemia de Covid - 19, foi preciso reorganizar o sistema de ensino. Proporcionar uma inclusão digital, com rapidez. 1 A University Class, Bologna (1350s), disponível em https://www.thegreatcoursesdaily.com/education - in - the - renaissance/ - acesso em 27 de Agosto de 2021. Cultura Digital na BNCC: 2 Nesta segunda imagem, reparo inicialmente na semelhança com a pintura italiana. Trago a ideia de transmissões , que sobrepõem as simples transferências. Entramos no ponto de debate sobre as implicações da cultura digital, ou cybercultura , na Base Nacional Comum Curricular . Consta na legislação da BNCC que o ensino deve prezar pela valorização e manutenção dos tais sistemas e aparelhos que já estão dispostos. Mas quais seriam? Realizar o ideal de sociedade justa, democrática e inclusiva, onde todos teriam acesso igual à rede de ensino virtual de qualidade; porém anteriormente deve ser pensado como funciona o acesso às mídias digitais para alunos e professores. No campo de cultura digital, faço referência à fala de Marcelo Ganzela, professor atuante na formação de outros professores, disponível no vídeo 3 Escola e a Cultura Digital. Marcelo pontua que o oposto de natural é o cultural. Entendemos cultura como uma construção espontânea em grupo, dentre dadas condições. Para possibilitar essa construção espontânea na escola, pensando dentro e fora do digital, é preciso oferecer ao corpo discente as ferramentas necessárias para um bom cultivo. Semipresencial, Híbrido, 100% online. Interatividade: A educação para Paulo Freire não se faz lançada de A para B . O professor no lado A prepara sua aula seguindo os conteúdos da norma curricular, manejando a disciplina de modo a facilitar a compreensão por parte dos alunos. Estes, no lado B , sem saber muito bem o motivo de estarem fadados a estudar conteúdos que pouco se encaixam na sua diária, também se preparam a receber quase por completo todo o conteúdo enviado pelo sujeito A A envia, B recebe. Mas para Paulo Freire, a educação está além da parábola, não é um lado que lança para outro, seria algo como uma queimada, onde quem lança também recebe. O ensino está como transmissão. No prefixo trans está o além, que ultrapassa determinado espaço ou limite. Missões são os encargos, algo a resolver. Na escola, a transmissão ultrapassa as tarefas, está no além - execução; longe da ideia de passar de um para outro. A não está para B , A está com B . Educação como um ato colaborativo significa que todos são participantes ativos, passíveis apenas de sempre aprender. Não existe saber mais ou saber menos, há saberes diferentes. 2 Disponível em https://cistercianinformer.com/5883/the - nest/college - admissions - in - a - covid - world/ - acesso em 27 de Agosto de 2021. 3 https://www.youtube.com/watch?v=OBLBdcFBoKo - acesso em 27 de Agosto de 2021. Sociedade na Cultura Digital: Ainda acerca da entrevista de Marcelo Ganzela, fiz outra ponderação. Lembro quem ainda no início dos anos 2000 era comum encontrar colegas de classe que não assistiam aos mesmos canais de desenho animado que eu, não era permitido pelos pais. Por questões religiosas ou ideológicas, o acesso às mídias sempre foi limitado, e não é diferente com a Internet. Pais que não permitem seus filhos acessar redes sociais, visualizar conteúdo no YouTube sobre atualidades ou músicas que não sejam de seu agrado. Com a urgência de acesso à plataformas virtuais no período de pandemia, muitos pais e alunos se viram pela primeira vez de frente à Web 2.0 . Como seria este controle, uma difícil questão para os mais rígidos. Para os pais conectados, uma salvação para o Ensino, que estacionou no ano 2020, como quase todo setor público e privado. Mas voltamos à questão das ferramentas. A salvação veio para quem possuía um bom acesso, dispunha de aparelhos e vivia num ambiente confortável. Foi árduo para todos que estavam fora dessas condições. "No processo estruturante, a escola deixa de ser apenas um lugar onde o aluno vai consumir informação e torna - se um espaço de produção de culturas e de conhecimentos, um espaço plural." 4 A partir desta fala de Nelson Pretto, professor da Faculdade de Educação Federal da Bahia, encerro minhas primeiras explanações sobre Didática e Cultura Digital. Dentre inúmeros benefícios dos modelos virtuais, destaco a interatividade como transferência, troca de conhecimento. Saberes são riquezas que podem ser repartidas e multiplicadas. Com o ambiente apropriado e ferramentas necessárias, todos possuem a mesma chance de alcançar sucessos. Sem o básico para transmissões não há como garantir um ensino qualitativo, apenas ideias de justiça e democracia. O ensino inclusivo exige participação ativa de todos os envolvidos, e quando no virtual, que todos tenham o mesmo acesso para produção de culturas. Contextualização Teórica; Fundamentação: 1. FREIRE, Paulo. Educação como prática de liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1967. 2. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. 25a Edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002. 3. FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 24a Edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997. 4. HOOKS, Bell. Ensinando a Transgredir. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2013. Textos Básicos AVA; Vídeos disponíveis no Banco. 4 https://ava.pr1.uerj.br/mod/page/view.php?id=88095 – acesso em 27 de Agosto de 2021.