1 2 As dez Leis para uma Vida Cristã Realizada Marco Natali Igreja Virtual da Ciência Divina 3 1. NINGUÉM NASCE IGUAL Quando chegamos ao mundo, já encontramos um mundo que não escolhemos. Ninguém escolhe a família em que nascerá, o país, a época, as condições econômicas, a aparência física, as características biológicas, a educação que receberá ou as oportunidades que encontrará pela frente. Uns nascem em famílias abastadas; outros, em famílias que lutam diariamente pela sobrevivência. Uns recebem educação de qualidade desde os primeiros anos; outros precisam trabalhar antes mesmo de aprender a ler corretamente. 4 Também não nascemos com o mesmo nível de percepção. Duas pessoas podem ouvir exatamente a mesma coisa e compreendê - la de maneiras completamente diferentes. Uma pode perceber uma oportunidade onde a outra enxerga apenas um problema. Uma pode aprender rapidamente com seus erros; outra pode repetir os mesmos erros durante toda a vida. Essa desigualdade inicial parece, à primeira vista, uma grande injustiça. E talvez seja justamente aí que começa uma das maiores dificuldades para compreender a vida: confundimos igualdade com justiça A natureza não distribui suas cartas igualmente. 5 Há diferenças físicas, intelectuais, econômicas, culturais e circunstanciais. Há pessoas que começam a corrida alguns metros à frente e outras que começam muito atrás. Algumas recebem instrumentos extraordinários; outras precisam construir seus próprios instrumentos durante a caminhada. Mas existe uma consequência importante dessa constatação: não podemos escolher as cartas que recebemos, mas podemos aprender a jogar melhor com elas. A vida começa no caos (Entropia) das possibilidades. Depois, pouco a pouco, cada indivíduo começa a organizar esse 6 caos por meio de suas escolhas (Sintropia) Não significa que todos tenham as mesmas possibilidades. Não têm. Significa que, dentro das possibilidades de cada um, existe uma parcela da vida sobre a qual podemos exercer influência. A grande pergunta deixa então de ser: “Por que eu não recebi o que aquela pessoa recebeu?” E passa a ser: “O que posso fazer com aquilo que recebi?” 7 Essa mudança de pergunta pode transformar uma existência inteira. 8 2 . TODOS IGUALMENTE TEMOS 24 HORAS Se existe alguma coisa distribuída de maneira rigorosamente igual entre os seres humanos, é o tempo de cada dia. O milionário não recebe 25 horas. O pobre não recebe 23. O sábio não recebe mais tempo. O ignorante não recebe menos. O justo e o corrupto recebem exatamente a mesma quantidade: 24 horas por dia É uma das poucas igualdades absolutas que encontramos na existência humana. 9 Mas existe uma diferença fundamental entre igualdade e equidade Todos recebem o mesmo número de horas, mas não recebem as mesmas condições para utilizar essas horas. Uma pessoa pode precisar dedicar grande parte do dia à sobrevivência. Outra pode ter empregados, recursos financeiros e liberdade para estudar durante horas. Portanto, possuir 24 horas não significa possuir as mesmas condições de aproveitá - las. Ainda assim, existe uma verdade poderosa nessa igualdade. O tempo perdido não pode ser comprado de volta. Dinheiro pode ser recuperado. Objetos podem ser substituídos. 10 Uma oportunidade pode eventualmente reaparecer. Mas uma hora que passou desapareceu para sempre. É por isso que administrar o tempo talvez seja uma das formas mais importantes de administrar a própria vida. Muitas pessoas passam anos ocupadas, mas não necessariamente produtivas. Correm de uma atividade para outra, respondem mensagens, assistem vídeos, discutem assuntos que não podem modificar, preocupam - se com acontecimentos sobre os quais não têm qualquer controle e, ao final do dia, descobrem que estiveram ocupadas, mas não avan çaram. 11 A questão não é simplesmente quanto tempo temos A questão é: “Com o que estamos gastando nosso tempo?” Uma vida não é construída apenas pelas grandes decisões. Ela é construída principalmente pela utilização repetida das pequenas parcelas de tempo. Quem aprende a utilizar bem uma hora pode transformar um dia. Quem aprende a utilizar bem os dias pode transformar um ano. E quem aprende a utilizar bem os anos pode transformar uma vida. 12 3. EXISTEM COISAS QUE DEPENDEM DE VOCÊ E COISAS QUE NÃO DEPENDEM DE VOCÊ Talvez uma das maiores fontes de sofrimento humano seja tentar controlar aquilo que não está sob nosso controle. Não podemos controlar o que outra pessoa pensa. Não podemos controlar o passado. Não podemos determinar o comportamento de todas as pessoas. Não podemos controlar o clima, as decisões dos governos, as circunstâncias econômicas, os acidentes ou inúmeros acontecimentos 13 que surgem independentemente da nossa vontade. Entretanto, podemos controlar — ou pelo menos influenciar diretamente — nossas próprias escolhas. Podemos decidir estudar. Podemos decidir trabalhar. Podemos decidir pedir desculpas. Podemos decidir aprender. Podemos decidir tentar novamente. Podemos decidir como responder a determinada circunstância. Essa distinção parece simples, mas possui consequências extraordinárias. Imagine uma pessoa que passa duas horas discutindo diariamente sobre algo que não pode modificar. Ela não apenas perde duas horas: perde também energia emocional, concentração e capacidade de 14 trabalhar naquilo que realmente poderia transformar. A pessoa que concentra sua energia naquilo que depende dela começa a construir. Aquela que concentra sua energia no que não depende dela permanece presa à reação. Isso não significa ignorar o mundo. Significa compreender onde nossa ação realmente pode produzir resultados. Podemos observar uma tempestade, por exemplo. Não podemos mandar a chuva parar. Mas podemos fechar as janelas, proteger aquilo que está dentro de casa e esperar que a tempestade passe. Na vida acontece o mesmo. 15 Sabedoria é, em grande parte, saber onde colocar a própria energia. A pergunta diária deveria ser: “Aquilo que estou fazendo agora depende de mim?” Se depende, aja. Se não depende, aceite a realidade, adapte - se e procure aquilo que ainda pode ser feito. Essa simples distinção pode devolver ao indivíduo uma quantidade enorme de tempo e energia. 16 4. CONHECIMENTO NÃO É SABEDORIA Vivemos na época em que o conhecimento se tornou extremamente acessível. Nunca foi tão fácil aprender. Podemos assistir a uma aula enquanto tomamos café. Podemos ler livros em poucos minutos. Podemos pesquisar praticamente qualquer assunto. Temos universidades, bibliotecas digitais, vídeos, cursos, entrevistas e especialistas de todas as áreas ao alcance de poucos cliques. Mas existe um paradoxo: 17 Q uanto mais conhecimento temos disponível, mais precisamos compreender a diferença entre conhecimento e sabedoria. Conhecimento é aquilo que recebemos. Alguém nos ensina alguma coisa. Lemos alguma coisa. Assistimos a alguma coisa. Escutamos uma experiência. Isso entra em nossa mente como informação. Mas informação ainda não é experiência. Uma pessoa pode assistir a centenas de vídeos sobre exercício físico e continuar sedentária. 18 Pode ler dezenas de livros sobre administração financeira e continuar gastando irresponsavelmente. Pode conhecer todas as teorias sobre comunicação e continuar destruindo seus relacionamentos com palavras impensadas. Pode estudar filosofia durante décadas e continuar incapaz de controlar a própria reação diante de uma contrariedade. Conhecer não significa saber. Para transformar conhecimento em saber é necessário experimentar, praticar e verificar A prática funciona como um laboratório da vida. Recebemos uma informação. Aplicamos. Observamos o resultado. 19 Corrigimos. Tentamos novamente. Aquilo que se confirma na experiência começa a transformar - se em saber pessoal. E a soma desses saberes, acumulados ao longo da existência, constitui aquilo que podemos chamar de sabedoria. Por isso, talvez seja possível possuir uma biblioteca inteira e ainda ser pouco sábio. E também é possível encontrar uma pessoa que nunca frequentou uma universidade, mas que acumulou, durante décadas, uma extraordinária compreensão da vida. A sabedoria não está apenas na quantidade de coisas que sabemos. 20 Está na capacidade de transformar aquilo que sabemos em maneira de viver