governar, inspiradamente na “sharia”, as questões políticas e mundanas, tutelando, por ser um ator (até agora) secundário neste conflito (espera-se que arrufo), pro- que, em termos económicos, essa irrele- vância não possa ser, nem sequer ligeira- P ortugal é um dos países com maior número de idas ao Serviço de Ur- gência (SU) no mundo. Numa abordagem recente fei- ta por peritos da Organização para a Cooperação e Desenvol- vimento Económico (OCDE), Portugal estava em primeiro lu- gar com cerca de 70 idas anuais ao SU por cada 100 habitantes, mais do dobro da média dos países da OCDE. Em Portugal a autorreferen- ciação é regra e o número de pacientes não urgentes que ha- bitualmente procura o SU varia entre 30 a 50%. Esta grande afluência de doentes pouco ur- gentes representa uma grande sobrecarga de trabalho para os profissionais de saúde, que con- duz ao seu desgaste e que pode- rá resultar na dilatação do tem- po de resposta, com aumento dos tempos de espera, e na di- minuição da capacidade de atendimento. O envelhecimento da população e o aumento da patologia crónica faz com que este tipo de doentes procure a urgência numa primeira abor- dagem de tratamento dos seus sintomas. Simultaneamente, a época da gripe tem como consequência o agravamento de patologias res- piratórias crónicas, o que agra- va a procura dos Serviços de Urgência para níveis verdadei- ramente alarmantes. No Serviço de Urgência do Hospital de Braga são observa- dos cerca de 600 doentes por dia. Nos últimos 5 anos a afluência a este Serviço aumen- tou 15%, com um aumento das situações não urgentes em 46%. Apenas no ano de 2019 as ad- missões de pacientes não ur- gentes situaram-se nos 42%. Enquanto cidadãos o que po- demos fazer para contribuir pa- ra uma utilização mais sustenta- da das urgências? Recorrermos às mesmas ape- nas quando necessário, esgo- tando sempre outras possibili- dades, tais como o médico de família, nos cuidados de saúde primários, ou a linha telefónica da saúde 24 – SNS24 (808242424). Que situações são urgentes e devem ser observadas no SU? Por exemplo acidentes e trau- ma; falta de ar; perda de cons- ciência, confusão de início sú- bito; perda de força unilateral, desequilíbrio, alteração de lin- guagem; dor torácica no centro do tórax em aperto; dor violenta e incapacitante; hemorragia grave. Que situações não devem vir ao SU? Síndrome gripal; resfriado co- mum, prurido e eczemas, dores ósseas e articulares crónicas, sintoma urinário; tonturas; dis- pepsia ou indigestação; fadiga; recusa alimentar. Um dos motivos pelo qual os pacientes preferem ir ao SU é a sua acessibilidade. No entanto, os centros de saúde têm equipas reforçadas para melhorar o acesso nesta época de gripe, com alargamento do números de médicos e/ ou horário de atendimento. Vamos todos contribuir para uma melhor utilização do Ser- viço de Urgência e para a otimi- zação global do atendimento, com uma utilização mais asser- Quando ir ao Serviço de Urgência? JORGE TEIXEIRA Diretor do Serviço de Urgência do Hospital de Braga Voz à Saúde