CONTATO COMUNICAÇÃO 2020 MÉDICOS 80 TURMA 1980 - 40 ANOS FM - UFG COMISSÃO Dr. Maurício Barcelos Costa Coordenador Dra. Denise Lucas Viana Dr. Geraldo Silva Queiroz Dr. Hélio Augusto Finotti Dr. José Renato Ayres Rezende Dra. Marta Curado Carvalho Franco Finotti Dra. Rosa Maria Nascimento Gonçalves EDITOR Iúri Rincon Godinho Academia Goiana de Letras e Contato Comunicação Copyright © 2020 by: 40 anos Editora: Contato Comunicação Dados internacionais de Catalogação na Publicação -CIP Dartony Diocen T. Santos CRB-1 (1° Região) 3294 Q1 Médicos 80 / Dr. Maurício Barcelos Costa (org). – Goiânia:. Contato Comunicação, 2020. 256p. : il. 1. Literatura brasileira. 2. Memórias. 3. Turma. I. Título. CDU: 821.134.3(81)-94 DIREITOS RESERVADOS- É proibida a reprodução total ou parcial da obra, de qualquer forma ou por qualquer meio sem a autorização prévia e por escrito do autor. A violação dos Direitos Autorais (Lei n.° 9610/98) é crime estabelecido pelo artigo 48 do Código Penal. Impresso no Brasil Printed in Brazil 2020 SABER VIVER CORA CORALINA Não sei... se a vida é curta ou longa demais para nós. Mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo: é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja nem curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira e pura... enquanto durar. Nossa Cora - Retrato em aquarela de autoria de Luiza Helena Aguirre MÉDICOS 80 - Turma 1980 - 40 Anos - FM-UFG - 11 Como se lê um livro de registro de sau- dades e que comemora 40 anos passados na mesma profissão, tempo esse que corresponde a 2/3 da vida de cada um? Vários sentimentos orientam cada página, cada foto, cada história. Um enorme caldeirão recebe diferentes frag- mentos humanos, tais como sorrisos, lágrimas, saudade, surpresas e os mistura formando um produto que se denomina reflexão. Não perguntemos se mudou o Natal, muito menos se nos resta o consolo de um tango, não censuremos o José, nem suspiremos como se nos chamássemos Raimundo, que serve apenas para uma rima! Conclui-se que nada adianta contra a democrática passagem do tempo. Há alguma maneira de contê-lo, de fixá-lo? Sim, aparente- mente. Este livro é uma grandiosa tentativa de combater o esquecimento, de renovar as lem- branças quaisquer que sejam suas qualificações. Passaram-se quarenta anos desde quando cem jovens foram encurralados pelo destino que lhes deu uma preparação de seis anos na Faculdade de Medicina da UFG e uma vida de quarenta para servirem a uma mesma causa. Este livro registra não as idades cronoló- gicas, mas o amor à vida, apesar de todas suas vicissitudes ; presta contas da luta de cada um PREFÁCIO EX-ALUNOS, COLEGAS ATUAIS Prof. Dr. Heitor Rosa 12 - MÉDICOS 80 - Turma 1980 - 40 Anos - FM-UFG por si e por sua missão, jurada há quarenta anos; revela momentos de suas vidas pessoais e fami- liares; as alegres reuniões ao longo dos seis anos do curso; faz lembrança daqueles ausentes que se apressaram em chegar primeiro à fonte da vida. Um grupo de médicos que se dispuseram a honrar suas origens acadêmicas na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás e registram em livro sua fidelidade. O que me pareceu interessante na ideia do livro, foi que preferiu-se a informação tradi- cional, em papel com texto e fotos em vez do todo o aparato tecnológico que hoje dispomos. Corretíssimo, eu acho. O livro vai conosco nas mãos, na bolsa, no carro, na cama e se exibe na prateleira da biblioteca. Ao acariciar o livro, fazemos o mesmo com todos personagens e fotos lá carinhosamente aprisionados. Direi que o convite para prefaciar este documento deixou-me feliz, grato e orgulho- so, mesmo sem encontrar uma justificativa irretorquível para o mesmo. Só agora retornei aos 40 anos passados, mas não me vejo como alguém importante na vida dos alunos de 1980, pois hoje convivemos como velhos colegas e amigos (não chamarei as colegas de velhas), profissionais competentes dos quais muitas vezes me sirvo e me ensinam. Mas como me sinto acolhido e protegido entre cem amigos! Apesar da fase crepuscular, percebi a beleza e poesia do crepúsculo, o que me enche de energia, vida e trabalho. Passarei um tempo indefinido dentro deste livro e dele não quero sair; conversarei eternamente com as fotos. Não devemos falar de tempo, 40, 60, 70 anos de formados, pois o tempo é algo abstrato e apenas serve às con- veniências humanas, mas não tem significado diante da infinitude do universo. Parabéns à Comissão que idealizou e or- ganizou este refrescante livro, a melhor forma de manter viva a memória de um grupo cujo ideal se manifestou há 40 anos. Um belo legado às suas gerações. MÉDICOS 80 - Turma 1980 - 40 Anos - FM-UFG - 13 UMA IDEIA QUE DEU CERTO Pauzanes de Carvalho Filho Há 5 anos, quando dei a ideia de escre- vermos um livro sobre a nossa turma, o fiz de maneira despretensiosa e sem acreditar muito que ele seria realmente produzido. Ledo engano. Me esqueci que essa turma tem um comando muito eficiente e admirável. Hoje estou aqui apresentando essa “obra” da qual ainda nos orgulharemos por muito tempo. Estou impressionado com a receptivida- de e com o empenho de todos. Estou ansioso para ver esse admirável projeto, agora, concreto. Fico preocupado porque, recentemente li uma poesia em que o autor descreve que “hoje estou vendo o início da primavera, com suas flores, mas não sei se no ano que vem as verei novamente. O universo, caminha conti- nuamente, independente da minha presença” Embora os físicos, como o Stephen Ha- wking, tenham estabelecido que o tempo não existe, é uma convenção física. Temos muita dificuldade para lidar com ele. Mas não há como negar: o que nos é destinado, o tempo traz até nós; o que não nos pertence, o tempo leva embora. Registramos a nossa existência com esse trabalho e ele é marca de uma turma que foi diferente, que é diferente e que será sempre 14 - MÉDICOS 80 - Turma 1980 - 40 Anos - FM-UFG diferente. E o que contém esse livro? Um roman- ce? Um livro de aventuras? Uma coletânea de contos? Contém as histórias das vidas de um grupo de pessoas, que tiveram o mesmo pro- pósito. Que sonharam em ser médicos, que se esforçaram para ser médicos, que hoje são médicos e se sentem horados em contar as suas histórias. Além das biografias, o livro contém dis- cursos proferidos nas reuniões regulares que fazíamos, fotos da turma, em várias ocasiões e palavras das pessoas que fizeram parte dessa nossa trajetória. Estamos completando 40 anos de for- mados e estamos preparando a 8ª. reunião de mais 5 anos, o que fazemos rigorosamente desde que nos formamos. O que nos move ou nos motiva para fazer esses encontros? Talvez o simples fato de podermos co- memorar, de rever os “amigos”, de lembrar dos nossos dias escolares. Na verdade, sempre nos divertimos com aquelas lembranças e matamos as saudades de alguns. Iremos comemorar os 50 anos de for- mados? Sim, com certeza. Mas o que vamos aprontar agora? E embora possamos não estar aqui na próxima primavera, vamos continuar cultivan- do nosso afeto, continuar preservando nossas conquistas, e nos orgulhando dos nossos feitos. Por outro lado, me sinto preocupado, pois, fizemos tudo que um grupo social pode fazer, do ponto de vista técnico, afetivo e social. E agora o que vamos fazer daqui pra frente? Preparar para a comemoração dos 50 anos. Imaginem!!!!!! O tempo nos doa, mas também nos tira. Espero que ele não nos tire a esperança, a fé e a motivação para essa caminhada. Estaremos aqui nos próximos anos, e daqui a 10 anos, aprontando mais alguma coisa extraordinária. Temos que agora pensar, que não há mais o que precisa ser feito, pois já está tudo feito. Afinal de contas, nossa turma não só participou da história, não só contribuiu com a história, não só fizemos uma história. Nós somos a história. MÉDICOS 80 - Turma 1980 - 40 Anos - FM-UFG - 15 Vocês formaram em uma época em que medicina se aprendia a beira do leito seguindo os princípios da medicina de forma rígida, onde primeiro era colhido história clinica minuciosa seguido de exame físico rigoroso e nos míni- mos detalhes e após as hipóteses diagnósticas e somente após eram solicitados exames comple- mentares para confirmar o nosso diagnóstico. Existia um contato através do olhar, do ouvir e do palpar como se fosse uma interação mágica. Nestes 40 anos vimos os meios diagnós- ticos evoluírem principalmente com aperfei- çoamento da Tomografia Computadorizada, reproduzindo com seus cortes a perfeição do corpo humano e as suas alterações. Vimos também a evolução da Ressonância Magnética que em algumas patologias mostram lesões usando como contraste os próprios líquidos corporais. Surgiram as cirurgias minimamente inva- sivas, e posteriormente a cirurgia robótica com imagens perfeitas e que apresentam resultados impressionantes, propiciando internações cur- tas e diminuição de complicações em todas as especialidades cirúrgicas. A descoberta da maioria dos marcado- res tumorais com a instituição de tratamento precoce para os tumores e uma chance de cura, O QUE APRENDEMOS NESSES 40 ANOS? Prof. Dr. Hélio Ponciano Trevenzol 16 - MÉDICOS 80 - Turma 1980 - 40 Anos - FM-UFG sem falar nos estudos sobre o genoma que trará grandes benefícios para as pessoas. Podemos dizer que houve um grande avanço na medicina, no diagnóstico e trata- mento, propiciando inclusive aumento na idade média da vida das pessoas. Vimos também proliferar as escolas mé- dicas muitas sem estrutura para oferecer um ensino no mínimo aceitável e de qualidade duvidosa. Com este cenário observamos uma quebra dos princípios da medicina, onde o atendimento ficou impessoal e mecânico, onde houve uma inversão desses princípios e em consequência os exames complementares vieram em primeiro lugar. Diante disto tudo, faço uma pergunta, o que aprendemos nestes 40 anos? Só temos uma resposta; nada supera o olho no olho, o escutar com atenção as quei- xas, o toque suave e firme das mãos no exame físico fazendo o paciente entender como se ele fosse o único a existir naquele momento. Este momento é mágico. Muitos de vocês se tornaram médicos de referência em suas especialidades ou mesmo professores e agradeço a todos por terem em- pregado o que aprenderam dando o melhor de si em benefício dos pacientes nestes 40 anos. Parabéns e um grande abraço. MÉDICOS 80 - Turma 1980 - 40 Anos - FM-UFG - 17 Meus amigos e colegas, ser lembrado mais uma vez por esta turma maravilhosa é acima de tudo um muito obrigado especial que sai do fundo da minha alma atormen- tada em tempos de Covid 19. Vocês contri- buíram para meu sucesso na vida acadêmica. Sou o resultado da confiança que em mim depositaram porque em 1980, eu era sim- plesmente um jovem professor iniciante com os olhos cheios de esperança e as mãos prontas para o trabalho árduo de repassar ensinamentos. Com o tempo fui descobrindo que como professor em Medicina, não existe ensino e sim troca de informações. Há uma simbiose entre aluno e professor com resul- tado positivo para ambos. A formatura, momento único, onde as sensações vividas são únicas e inexplicáveis. Com o diploma nas mãos cada um segue seu caminho onde o individualismo será uma constante no caminho a ser percorrido. Lembro de cada detalhe dos momen- tos de festas vividos naquele segundo se- mestre de 1980. Desde as músicas cantadas em coro, ao assassinato de John Lennon em dezembro. Só nós, espécies de Toto, o menino de LEMBRO-ME DE CADA DETALHE Prof. Dr. Renato Ribeiro Facury 18 - MÉDICOS 80 - Turma 1980 - 40 Anos - FM-UFG cinema Paradiso, podemos bater no peito, lembrar de nosso passado, beber, sorrir, cho- rar, contar vantagens, esquecer as derrotas e tocar a vida pra frente porque os sonhos só findam com a morte e afinal só estamos idosos, velhos jamais. Um beijo a todos, qualquer dia a gente se vê. OS BONS TEMPOS DA FACULDADE MÉDICOS 80 - Turma 1980 - 40 Anos - FM-UFG - 21 A CASA – FM E HC - UFG Marta Curado Carvalho Franco Finotti Maurício Barcelos Costa A casa sagrada, a Casa de Francisco (Fran- cisco Ludovico de Almeida Neto), fundada em 07 de abril de 1960 por decreto presidencial do Presidente Juscelino Kubitschek, forma a pri- meira turma no final de em 1965. Os Médicos 80 são da 16ª turma desta grandiosa institui- ção, que tem levado conhecimento à gerações e mais gerações. Alguns de nós hoje somos professores da mesma e com muito orgulho de nossos antepassados, tentamos reproduzir o que com eles aprendemos e o muito do que aprendemos na vida profissional. Experiência e novos conhecimentos adquiridos e transmitidos com responsabilidade e ética para as futuras gerações de colegas médicos. No início uma casa simples e improvi- sada, já na nossa época funcionava em alguns barracões, as famosas salas 4 e 5, sala da téc- nica operatória, alinhados frente a um grande corredor e no centro um prédio de 2 andares, hoje tombado pelo patrimônio histórico de Goiânia, onde ficava a Diretoria, além do pré- dio da pediatria e medicina tropical, o pronto socorro, o prédio da ortopedia e laboratório, a enfermaria da clínica médica e um prédio novo de 4 andares de ambulatórios e enfermarias/ internação. As salas de aula menores, além da 4 e 5, ficavam juntos com as enfermarias, em ambientes improvisados. Neste ambiente hoje considerado muito simples, fizemos toda nossa formação. O HC e a FM são duas entidades diferentes, mas se fundem, confundem e com- pletam-se em seus corpos clínicos e ambientes físicos, estando um dentro do outro e vice-versa. O estacionamento era imenso e naquela época poucos alunos tinham carros. Neste predomina- va as árvores, sendo que na época da formatura cada colega plantou uma árvore. Hoje ainda destacam uma sibipiruna e um ipê bola cor de rosa. Quem de nós os plantou? Hoje a realidade é outra bem diferente e ampliada. A Faculdade de Medicina já na sua maturidade, 60 anos, considerada uma das melhores do país, ganhou estrutura própria, muito ampla, com 2 andares e várias salas de aulas e as administrativas, da diretoria, coorde- nação de curso, departamentos, laboratório de simulação e habilidades, sala de telemedicina etc. Sobressai neste prédio o Teatro Asklepiós, que recebe confortavelmente 380 pessoas sentadas, em ambiente refrigerado, palco de apresentações de recitais e musicais clássicos, jornadas e solenidades diversas. O HC inau- gurou recentemente um prédio novo de inter- nações e bloco cirúrgico, com 16 andares, que quando em funcionamento pleno deverá ter 22 - MÉDICOS 80 - Turma 1980 - 40 Anos - FM-UFG em torno de 600 leitos, sendo o maior da região Centro-Oeste. O estacionamento reduziu de tamanho e praticamente cada aluno tem um carro, tornando o ato de estacionar um desafio. Voltando a casa onde estudamos, o bási- co, primeiro e segundo anos, foram cursados no Campus Samambaia, prédios novos, grandes e vultuosos, em meio a natureza, mata e animais silvestres, principalmente os salientes macacos. Lá tínhamos as disciplinas de anatomia humana, histologia e embriologia, farmacologia e fisiolo- gia, entre outras. Lá conhecemos os primeiros professores amigos, que depois viriam a ser nossos homenageados. Do 3º ao 6º ano cursávamos na FM e HC, no Campus do Setor Universitário. Em muitas disciplinas haviam prova oral e práti- ca de exame clínico, com alguns professores muito exigentes que a todos causavam medo e espanto. Lembro das percussões, que tinham que ser realizadas com muito esmero. No sexto ano fazíamos o internato, com imersão em ginecologia e obstetrícia, pediatria, clínica médica e cirurgia. Tinha também o internato rural com duração de um mês, realizado no Crutac de Firminópolis com o querido Dr. Diong Batista Cordeiro, em Porto Nacional (antigamente Goiás e hoje Tocantins), com Dr. Eduardo Manzano e sua esposa, Dra. Heloísa, e sua equipe, e em Picos - Piauí. Na época houve também a possibilidade de realizar o 6º ano no Hospital Geral de Goiânia – Inamps, onde tinha o PU (Pronto Socorro de Urgência). Se não me falha a memória foram para o Inamps uns 30 colegas, com possibilidade de novo campo de aprendizado e conhecimento de novos pro- fessores e colegas médicos residentes e outros profissionais já especialistas em diferentes áreas. No currículo oculto vários colegas acom- panhavam, fora da faculdade, professores em cirurgias, hospitais, UTIs e ambulatórios diver- sos, onde diversificávamos nossos campos de aprendizado. Em especial tínhamos a Materni- dade Dona Íris e a Nossa Senhora de Lourdes, onde durante o quinto e/ou sexto ano, éramos internos. Lá fazíamos partos normais, cesarianas e atendimentos diversos, sempre acompanha- dos e orientados por médicos especialistas da área. Excelentes campos de aprendizado de medicina. Desta época guardo algumas observações importantes. A primeira do Professor Joffre Resende: “nunca devemos ser o último a aban- donar o velho nem primeiro a adotar o novo”. Talvez nem seja ele o autor, mas foi nos passada por ele. A segunda da colega Mariluza, lá nos plantões da Nossa Senhora de Lourdes: “até os 40 temos que aproveitar, viver bem, comer e beber de tudo, do bom e do melhor, pois depois dos 40 anos aparecem a pressão alta, diabetes e outros males que nos limitam”. Do Professor Heitor Rosa ao entrar na enfermaria de gastro: “aqui vamos ver Medicina e gastro por acaso”. A casa era simples, mas muito bem ha- bitada, professores habilidosos e com muito a ensinar, pacientes com toda a gama de doenças das mais variadas possíveis e alunos ávidos por aprender para tornarem seus sonhos de infân- cia reais, serem médicos e travar a melhor das batalha entre a vida e a morte, amenizar a dor, e curar quando possível.